a ux unicórnio case · 2026

Do aeroporto ao quarto
de hotel, sem atritos

Como projetar uma experiência tranquila para viajantes de última hora — do desembarque à confirmação da reserva.

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NoWorries — telas do aplicativo
01 — O Projeto

Por que esse projeto?

Este projeto nasceu como um desafio do Curso UX Unicórnio. Escolhi esse tema porque queria me testar em design de serviços — uma área que vai além da tela e exige pensar em toda a experiência de um serviço do início ao fim.

A escolha pelo setor hoteleiro não foi aleatória: já tenho familiaridade com o meio, o que me deu uma perspectiva inicial de como os serviços funcionam por dentro — uma vantagem na fase de pesquisa com profissionais do setor.

O público principal são pessoas que precisam de uma reserva rápida — seja por imprevistos, mudanças de plano ou simplesmente porque preferem não reservar com muita antecedência. O desafio era criar uma experiência fluida para esse momento, reduzindo a ansiedade e tornando a hospedagem acessível em minutos.

A proposta de valor

O NoWorries é uma solução digital de reservas hoteleiras que conecta usuários a uma rede de hotéis de 2 a 5 estrelas com presença global, oferecendo uma experiência fluida desde o desembarque até a chegada ao quarto.

"Nós cuidamos da burocracia, aproveite sua estadia."

Modelo de negócio canvas

Modelo de negócio — key partners, atividades, canais e fontes de receita

02 — O Mercado

U$1.800.000.000 em oportunidade

Antes de projetar qualquer tela, precisei entender o mercado. O setor de hospedagem global é massivo — e existem lacunas claras que nenhum player resolve bem para o viajante que precisa de uma reserva rápida.

Nos últimos 5 anos a receita cresceu em média 14,2% ao ano, superando os níveis pré-pandemia. Agências de viagem online ocupam as duas principais posições de receita em 79% dos principais destinos. Hotéis de nível médio (3 e 4 estrelas) estão ganhando força, atraindo parte do público dos 5 estrelas que ficaram caros com a inflação.

Dois dados moldaram decisões de design diretas:

76%

pagariam mais por um hotel com melhores avaliações de clientes

85%

reservariam acomodações reconhecidas por experiências excelentes com consistência

Esses números confirmaram algo que viria a ser o princípio central do produto: o usuário não quer o mais barato — quer o mais confiável.

O que os concorrentes não resolvem

Analisei Airbnb, Booking, Trivago, TripAdvisor e One Fine Stay. Três padrões de fraqueza aparecem em quase todos: suporte falho ou inacessível, informações incompletas ou divergentes, e taxas escondidas ou reembolso inadequado.

As expectativas dos usuários que ninguém atende completamente: transparência total na reserva, avaliações confiáveis e recentes, e suporte eficiente no momento certo.

03 — A Pesquisa

Como a pesquisa foi conduzida

A pesquisa foi estruturada em 4 etapas: screener, entrevistas qualitativas, prototipação de alta fidelidade e teste de usabilidade. Escolhi pesquisa semi-estruturada porque queria entender não só o quê as pessoas fazem, mas o por quê de cada decisão.

Screener — a triagem estratégica

Fiz uma triagem para conseguir o público certo. As perguntas foram feitas de modo sucinto, sem revelar o objetivo final da pesquisa nem qual público estava sendo buscado — para não contaminar as respostas.

O screener foi divulgado em: grupos do Facebook, grupos de WhatsApp, grupos do LinkedIn, grupos do Telegram e stories no Instagram.

Entrevistas — dois públicos, perspectivas complementares

8 entrevistas ao total, realizadas por videoconferência em 15 minutos cada:

4

Viajantes internacionais

O que motiva a viajar, o que fazem ao chegar, como era o check-in, o que buscam na hospedagem

4

Profissionais do setor hoteleiro

Como funciona a operação de liberação de quarto, uso de sistemas, responsabilidades do balcão

Matriz CSD

A Matriz CSD (Certezas, Suposições e Dúvidas) foi usada em duas etapas: primeiro após a pesquisa secundária, depois atualizada com os aprendizados das entrevistas.

Certezas

  • Necessário integrar táxi, usuário e time de hotel
  • Verificar disponibilidade de quartos é essencial
  • Clientes valorizam clareza de comunicação acima de tudo
  • O recepcionista precisa alimentar o sistema para cumprir a legislação

Suposições

  • A primeira vontade do cliente é só reservar e pagar
  • O melhor momento para o FNRH é quando estiver no táxi

Dúvidas

  • Por que essas viagens acontecem — cancelamentos ou negócios?
  • Existe liberação automática de quarto sem interação humana?
  • Quais times estão envolvidos no blueprint?

Hipóteses — o que assumíamos e o que descobrimos

Antes de entrevistar, documentei as suposições. Algumas se provaram erradas — isso é exatamente o que faz a pesquisa valer.

Suposição · Usuários A primeira vontade do cliente é só reservar o hotel e pagar. Fazer login ou preencher FNRH nesse momento seria ruim.
Resultado · Comprovada, mas ajustada O cliente quer saber sobre reserva e logística. O FNRH pode ser pedido em partes pequenas ao longo da jornada.
Suposição · Usuários A informação mais importante é o orçamento do cliente.
Resultado · Falsa O primeiro critério é localização, depois avaliações recentes. O preço vem como refinamento — não como ponto de partida.
Suposição · Colaboradores Para liberar um quarto são necessárias 3 equipes diferentes.
Resultado · Comprovada Governança, limpeza e balcão — fundamental para o blueprint e para não prometer o que o sistema não entrega.
04 — Insights

O que as entrevistas revelaram

Cada aprendizado influenciou uma decisão de design direta.

Prioridade ≠ Velocidade

Eu assumia que o mais importante era fazer a reserva rápido. As entrevistas mostraram algo diferente: quando você desembarca estressado, a primeira coisa que quer é garantir um lugar seguro e confiável. Depois vem o preço.

Impacto no design: A listagem de hotéis é ordenada por avaliação recente por padrão — não por preço, não por distância.

A primeira preocupação é o transporte

Os usuários comunicaram nas entrevistas que, logo após desembarcar e pegar a mala, a primeira preocupação é como irão se transportar. Isso indicou que o app precisava resolver o translado junto com a hospedagem — não separadamente.

Impacto no design: Integração de reserva + táxi no mesmo fluxo. O usuário não precisa sair do app para chamar o transporte.

A barreira de idioma mencionada

Nas entrevistas, a questão do idioma foi levantada como uma preocupação real — especialmente na comunicação com o motorista do táxi. Essa demanda levou à criação de um suporte em português contextual que aparece antes de o usuário chamar o táxi.

Não é um chatbot — é uma pessoa real. E o código de 4 dígitos da reserva elimina a necessidade de comunicação verbal com o motorista.

Impacto no design: Botão de suporte em destaque antes do pedido de táxi. Código de reserva proeminente na tela — o usuário só mostra o número.

Do lado do hotel: três equipes, uma operação

As entrevistas com profissionais do setor revelaram que a liberação de um quarto envolve três equipes — governança, limpeza e balcão. E que a verificação de documento precisa ser presencial por segurança.

Esse aprendizado foi essencial para calibrar o que o app pode e não pode prometer. O check-in antecipado agiliza o processo — mas não elimina a passagem pelo balcão.

05 — Personas

Duas personas, uma mesma dor

Identifiquei dois públicos principais com motivações diferentes — mas que chegam ao mesmo ponto: precisam de hospedagem agora, sem fricção.

Persona 1 - José
José
50+ anos · Alto poder aquisitivo · Tem filhos e netos
"Eu trabalhei muito na minha vida, agora quero aproveitar e viajar com minha família"
Dores
Não aproveitou a vida (lazer) Pouco tempo com a família Não fala a língua local Não quer lidar com detalhes
Potenciais analgésicos
Experiências locais com a família Pacotes personalizados Equipe que fala sua língua
Preferências de viagem
Viaja com família Prefere pacotes fechados
Persona 2 - Gabriel
Gabriel
20–30 anos · Estudante · Estagia ou trabalha
"Quero conhecer lugares, ter uma experiência boa... conseguir descansar também"
Dores
Vida voltada para estudos/estágio Desgastado pela rotina Rotina sem dinamismo
Potenciais analgésicos
Descontos para estudantes Experiências de day-use
Preferências de viagem
Viaja com amigos ou só Busca experiências únicas
06 — Artefatos

A jornada mapeada

Com os insights em mãos, construí três artefatos que guiaram o design: a jornada do usuário dentro do app, a jornada de experiência completa e o blueprint de serviço.

Jornada do usuário

O mapa cobre do download do app até chamar o táxi. A linha de sentimentos foi a parte mais reveladora: o usuário começa com dúvida e ansiedade, passa por confiança na home — e volta para ansiedade na hora do táxi. Essa curva emocional guiou onde concentrar esforço de design.

Jornada do usuário

Jornada do usuário — pensamentos, sentimentos e ações em cada etapa do app

Jornada de experiência

A jornada completa vai muito além do app. Começa quando a pessoa decide viajar e termina quando entra no quarto. Mapear esse escopo maior revelou oportunidades que só aparecem quando você olha para o contexto inteiro.

Jornada de experiência

Jornada de experiência — do interesse em viajar ao check-in no hotel

Blueprint de serviço

O blueprint mapeou o que acontece na linha de visão do cliente e nos bastidores. Três camadas: front-stage (o que o usuário toca), linha de visão (servidores e notificações) e backstage (limpeza, governança, liberação do quarto).

Blueprint de serviço

Blueprint de serviço — do interesse até a chave na mão

07 — A Solução

Uma jornada em 3 etapas

Com os insights e artefatos em mãos, a solução se organizou em torno de uma premissa: o usuário não precisa escolher entre rapidez e segurança. Consegue ambas.

1

Entender sua necessidade

Você diz onde está, quantos quartos precisa, quando quer ficar. Rápido, sem configurações extras.

2

Escolher com confiança

Opções ranqueadas por avaliação recente. Conforto primeiro, preço depois.

3

Chegar sem surpresas

Check-in antecipado no táxi. Suporte em português antes do translado. No hotel: só o documento e a chave.

08 — Interface

As telas do NoWorries

Cada decisão de interface tem origem direta em um insight da pesquisa.

Tela 01

Onboarding

O usuário entende o app em segundos: reservar quarto e garantir transporte. Logo após, informa destino, número de pessoas e datas — só o essencial para mostrar resultados relevantes.

Onboarding
Escolha de opções
Tela 02

Escolha de opções

Hotéis ordenados por avaliação — não por preço. Distância via referências conhecidas ("500m da Torre Eiffel"). Quatro categorias usando o vocabulário real do hotel: Luxury, Boutique, Midscale, Romantic.

Tela 03

Criar conta

Login social (Google/Apple) ou formulário. O checkbox "Poupe 5min" usa os dados do cadastro diretamente no FNRH — o usuário preenche uma vez, o check-in antecipado fica praticamente pronto.

Criar conta
Reserva e pagamento
Tela 04

Reserva e pagamento

Adiantamento mínimo para garantir o quarto, restante cobrado no check-out. Google Pay, Apple Pay, PIX, cartão. Sem taxas escondidas — o total aparece desde o início.

Tela 05

Check-in antecipado

FNRH preenchido em partes pequenas durante o translado. Para múltiplos hóspedes, o app envia o link por mensagem. No hotel: só apresentar o documento e pegar a chave.

Check-in antecipado
Instruções aeroporto
Tela 06

Instruções no aeroporto

Guia passo a passo dentro do aeroporto — das malas até a área de desembarque. Antes do táxi: suporte em português em destaque. Se não fala a língua, mostra só o código.

Tela 07

Pedido de táxi

Táxi chamado pelo app com rastreamento em tempo real. Os 4 últimos dígitos da reserva em destaque — o motorista confirma pelo código, sem comunicação verbal necessária.

Pedido de taxi
Check-in hotel
Tela 08

Chegada ao hotel

O app navega até a recepção. Documento apresentado, chave na mão. Confirmação completa com número de reserva, tipo de quarto e valor restante. "Aproveite sua estadia!"

09 — Resultados

19 usuários testaram

Teste de usabilidade com tarefa aberta — sem instruções adicionais, sem eu explicar nada.

85%
taxa de sucesso — 6 em 7 que chegaram ao checkout completaram a reserva
269s
tempo médio — menos de 5 minutos do zero à confirmação de pagamento
1.5/5
Customer Effort Score — quanto menor, menor o esforço percebido

O que os testes mostraram

As pessoas conseguiram entender o fluxo sem nunca terem visto o app antes. Ninguém ficou travado pensando "e agora?". Isso indica que a hierarquia visual e a navegação estão funcionando.

Dois pontos identificados para melhorias: usuários sentiram falta de filtro por número de camas e de referências de localização no mapa. E uma parte fez uma reserva — mas não a reserva planejada para a tarefa, indicando possível problema de UX writing nos labels.

Próximos passos

Testes síncronos com think out loud para entender onde há hesitação. Tree testing para validar os labels e confirmar se o vocabulário do app bate com o do usuário.

"Estou contente com os resultados. O aprendizado foi rico: desde pesquisa até execução de design de serviço e teste de validação."

— Jonathan Mendez

Você não precisa escolher entre rapidez e segurança.

Veja o protótipo completo ou explore o case no Behance.

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